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Os Estados Unidos impedem acesso a sua política de assassinatos seletivos

“Assassinato é coisa de vocês” Foi o que disse o presidente do Irã  Mahmoud Ahmadinejad  ao Parlamento de seu país sobre as acusaçõe...


“Assassinato é coisa de vocês”
Foi o que disse o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad ao Parlamento de seu país sobre as acusações feitas pelo governo de Barack Obama. Segundo o governo norte-americano, o Irã estaria envolvido numa tentativa de assassinato do embaixador saudita em Washington.
Seria Mahmoud Ahmadinejad a maior pedra do sapato do governo americano no momento?
Ahmadinejad reagiu ao pronunciamento do governo Obama e foi enfático ao dizer que os Estados Unidos da América buscam “aumentar a tensão no Oriente Médio, estimular a crise e assim justificar atitudes terroristas”.
Até bem pouco tempo atrás, George Bush se valeu de armas (químicas e biológicas) para invadir e ocupar o Iraque. Convenhamos que, de alguma forma, os ataques da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) à Líbia, que mataram milhares de civis, não deixa de ter em sentido ou razão de ser que não o controle do petróleo tanto no Iraque, como na própria Líbia.
Ainda em 2011 o presidente Barack Obama autorizou o assassinato de um norte-americano que seria membro da Al Qaeda (organização fundamentalista islâmica, constituída por células colaborativas e independentes que teriam por objetivo reduzir a influência não-islâmica sobre assuntos islâmicos), fato que provocou uma reação imediata do Senado norte-americano. O fato por si só seria motivo o bastante para que tivesse início um processo de impedimento do presidente em relação a suas funções plenas enquanto chefe de Estado.
Recordo-me agora de alguns momentos relatados por Hannah Arendt em sua célebre obraEichamnn em Jerusalém (trata-se de uma reflexão histórica e filosófica que explora as implicações do julgamento de Adolf Eichmann, ex-membro da cúpula nazista na Alemanha, levado a Jerusalém após ser sequestrado num subúrbio de Buenos Aires, pelo exército israelense, em maio de 1960). Como condenar um funcionário público, honesto e obediente, cumpridor de metas, que não fizera mais do que agir conforme a ordem legal vigente na Alemanha daquela época?
A partir deste questionamento, teve início a reflexão da escritora que cobriu todo o julgamento como correspondente do The New Yorker. Eichamnn foi um dos principais homens de Hitler, acusado de orquestrar e operacionalizar a chamada “solução final”. Segundo a autora, o membro nazista aparece como um indivíduo medíocre afundado na burocratização do Estado e impedido de refletir sobre seus próprios atos, o que de maneira alguma o isenta de suas responsabilidades. O questionamento se coloca na ideia da burocratização da vida pública e de sua consequente capacidade destrutiva.
Ou seria a própria imprensa americana?
Recentemente, a respeito do cidadão norte-americano morto pelas forças comandadas pelo presidente Barack Obama, um atrito entre a imprensa dita “livre” dos Estados Unidos e os órgãos de Estado chamou a atenção: A Justiça de Nova York recusou o pedido do jornal New York Timespara ter acesso às justificativas legais para a administração de Barack Obama autorizar o uso dedrones (os aviões não tripulados) para matar o cidadão norte-americano Anwar Al Awalaki, integrante da Al Qaeda, no Iêmen em 2011.
O jornal, assim como uma série de entidades de direitos civis, argumenta que, segundo a Constituição, Awalaki, por ser americano, deveria ter sido submetido a um processo judicial antes de ser condenado a morte.
Até Eichmann foi submetido a um julgamento formalmente constituído, embora é claro, saibamos que sua condenação era praticamente certa, sobretudo por se tratar de uma corte israelense a julgá-lo dentro do Estado de Israel. Ainda assim, estamos falando de uma série de questões que envolvem alguma complexidade.
Certamente havia, ainda na década de 1960, algum tipo de interesse no julgamento, na exposição da figura de Eichmann, não apenas como um foragido que poderia ter sido assassinado em Buenos Aires e dessa forma a comunidade judaica se encontraria satisfeita por seu fim, ao contrário, colocá-lo no banco dos réus foi um evento extremamente pertinente naquele que se tornou um dos mais famosos acontecimentos penais do século passado.
O caso de 2011 aparece com perspectivas distintas, é como imaginar Osama Bin Laden em tribunal norte-americano sendo julgado por crimes cometidos contra a humanidade, de alguma maneira não há e não houve tamanha necessidade, sequer o corpo do terrorista foi apresentado ao público.
Tratou-se de uma operação secreta e altamente relevante pelo objetivo concretizado, quiçá tendo inclusive garantido a reeleição do atual presidente.

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